Encontrando os caminhos para ser publicado no Brasil

Essa é uma jornada de todos. Tentar descobrir a fórmula secreta para ser publicado no Brasil, país que enfrenta não apenas uma crise (praticamente constante), mas, de igual modo, nunca teve um mercado de livros muito expressivo. De toda forma vale a pena exercitar nosso conhecimento para descobrir, ao menos, que caminhos são possíveis e viáveis para que a publicação aconteça sem depender de editoras no preocesso.

Se você está em busca de seu primeiro livro ou quadrinho publicado, esse texto é pra você. Prossiga lendo e no final me diga o que achou.

Eu busquei informações pela internet e conversei com conhecidos do meio para poder traçar esse pequeno panorama de possibilidades. Sei que nada aqui é inovador e nenhuma fórmula foi descoberta, mas ao menos estou certo de que os principais caminhos para ser publicado no Brasil estão listados aqui.

Vamos a elas? Sim. vamos!

Ser publicado no Brasil de forma independente.

Parece uma repetição de bater na mesma tecla, mas temos que falar. De todas as conversas que tive a maioria concordou com o seguinte: é muito mais fácil ser publicado no Brasil de forma independente. Aqui é você quem determina como e quando vai publicar e também o que vai publicar. Depende unicamente de você decidir o que fazer.

Mas existem dificuldades a serem vencidas e investimentos a serem feitos. Sim, existem. Na verdade existem muitos impedimentos que variam de tempo à dinheiro. Seja qual caminho escolher, haverá uma longa lista de situações a serem superadas caso pretenda atingir o seu objetivo final. É como a vida é, não é verdade? Cabe a você estudar toda essa lista e saber se alguma dessas opções é para você.

Ser publicado no Brasil - Parque gráfico

Grandes tiragens são impressas em gráficas/editores com parques gráficos como este

Imprimindo sua própria tiragem gráfica

Basicamente  você estaria fazendo o que as editoras fazem: Investindo em uma grande edição para facilitar a distribuição e reduzir os custos individuais, garantindo a possibilidade de negociações e concorrência de preço e promoção. Se você tem alguma bala na agulha para investir com a sua publicação, imprimir uma grande tiragem de seu material garante o menor custo unitário. O que também é uma possibilidade de retorno (lucro) maior. O risco aqui é alto também porque representa um bom aporte financeiro para iniciar. A distribuição também é um desafio, pois você terá muitos livros para vender e precisará escoá-los. Considera-se grande tiragem a partir da execução mínima de mil unidades de um mesmo livro.

Vantagens:

  • Baixo custo individual
  • Capacidade de negociar com distribuidores e livrarias
  • Possibilidade de marcar eventos e lançamentos com um bom custo unitário
  • Facilidade de promoção

Desvantagens:

  • Alto custo inicial
  • Capital financeiro empatado até que se venda o suficiente
  • Foco em um único produto
  • Logística para guardar e distribuir material

como ser Publicado no Brasil Bureau de impressãoImprimindo em pequena tiragem

Quando você tem mais sonhos do que dinheiro a coisa fica um pouco mais complicada. Mas sempre existem caminhos para contornar essa situação. Você pode imprimir uma edição de pequena tiragem (como eu mesmo fiz em ILHADO). Que significa fazer algumas poucas cópias de seu material em gráficas especializadas. Existem algumas gráficas que trabalham exclusivamente com tiragens pequenas e outras que fornecem esse serviço alternativamente. Normalmente há uma tiragem mínima que varia entre 20 e 50 unidades. Os valores individuais sobem bastante, mas o montante final fica muito mais baixo do que uma tiragem mais pesada. A grande desvantagem aqui é mesmo o custo unitário que costuma ficar muito alto comparado a uma tiragem gráfica o que afeta seu poder de promoção e negociação. Ter que reimprimir também é um desconforto pois implica em renegociar preços de impressão, frete, entrega, etc.

Vantagens:

  • Aporte financeiro menor para começar
  • Você pode imprimir mais material apenas conforme precisar
  • Possibilidade de corrigir erros e alterar informações a cada impressão

Desvantagens:

  • Preço individual muito alto
  • Logística de impressão, entrega, reserva e venda complicada pela reimpressão
  • Poucas unidades para promover, enviar para influenciadores e negociar com lojas
  • Não haverá distribuição




“Publicar” digitalmente

Uma das formas mais simples de ser publicado no Brasil é usar a internet. Alguns dirão que essa dica é uma trapaça e eu até concordaria. Afinal, não é o mesmo que publicar, certo? Mas pode ser uma forma de começar ou de “lançar a semente”. E quando falo internet, estou falando em publicar seu conteúdo nos meios digitais reconhecidos. Fazer um blog, sim, onde você vai manter seu conteúdo atualizado, mas também usar usar, por exemplo, a plataforma digital da Amazon (o Kindle Direct Publishing) ou usar o social comics, usar até mesmo o Comixology (no caso de quadrinhos). São plataformas que permitem que você publique e venda ou monetize seu material, então são sim um passo mais perto da publicação final… mas pera aí. Porque? Porque não simplesmente ser essa a publicação final. Pode ser, é uma forma de atingir seu público em um meio cada vez mais cheio de leitores e interessados. Há casos de grande sucesso que se tornaram material impresso e casos de grande sucesso que cresceu em torno de uma comunidade digital.

Vantagens:

  • Menor aporte financeiro de todas as opções
  • Pode atingir qualquer lugar do Brasil e do Mundo
  • Não requer impressão

Desvantagens:

  • Não é impresso (para alguns isso é desvantagem)
  • Público ainda reticente ou pouco
  • Requer alguns conhecimentos técnicos para a gestão de blogs, plugins e implantação de sistemas de terceiros como Amazon KDP, etc.

Contando com terceiros – Crowd Funding

Hoje já é uma palavra de conhecimento comum: Crowd funding ou Financiamento Coletivo. Uma forma de levantar dinheiro para fazer acontecer uma idéia, sonho ou projeto. Tornar a comunidade que acredita no projeto ou em sua idéia ou até em seu escopo-macro (por exemplo, quem gosta de incentivar a literatura de forma geral) os financiadores principais do projeto. Existem plataformas conhecidas hoje, mas a nacional mais comum, certamente é o catarse. Porém não é tão simples assim. Conseguir financiar um projeto requer a elaboração de outro projeto, o projeto de financiamento. Com custos transparentes, metas claras e objetivas e resultados/tempo bem determinados. Além disso é preciso haver uma comunidade capaz de apoiá-lo (veja o último parágrafo e a dica anterior “publicar digitalmente”). Tenho amigos que participaram de seus próprios crowd fundings e alguns, mesmo tendo sucesso, dizem que jamais tentaram algo parecido novamente. O trabalho é grande se não planejado de forma correta e eficaz, mas é uma forma de viabilizar a produção do que quer que você consiga imaginar.

Vantagens:

  • Você pode contar com a ajuda no aporte financeiro.
  • Seu projeto pode se expandir torando-se maior do que planejou.
  • É possível fazer grade tiragem seu investimento pessoal.

Desvantagens

  • A chance de sucesso de um projeto desconhecido é muitíssimo baixa.
  • O projeto de financiamento precisa estar bem definido e bem estruturado.
  • Você precisa de muito trabalho para fazer um bom financiamento coletivo girar
  • Requer uma grande comunidade envolvida e engajada
  • Você será cobrado dos resultados obtidos ou não




Situações comuns para quem publica de forma independente.

Independente da escolha, se você pretende publicar de forma independente, terá que seguir a pequena cartilha abaixo:

  • Participar de todos os eventos possíveis: Você terá que girar seu estoque, seja ele pequeno ou grande. A melhor forma de fazer isso, para você, é o contato direto com o leitor. Falar do seu material, mostrar e explicar como chegou a ele pode fazê-lo decidir pela compra. Ou, sensibilizá-lo pelo seu esforço (o que também vende 😉 ).
  • Ter uma rede social ativa e forte: Como independente (na verdade isso serve para qualquer modelo, mesmo publicando em editora.) você precisa ter uma rede de contatos, conhecidos, amigos, fãs e seguidores. Para alguns isso é simples como andar sobre a água. Não, pera. Mas sim, para alguns é fácil, para outros é complicado. Mas tudo é coisa que se aprende.
  • Envolver-se no mercado: Você precisa cuidar de mais do que o seu material e o seu projeto. Precisa pensar no macro. No “mercado literário” ou no “mercado de quadrinhos do Brasil”. Porque o desenvolvimento dele é o seu desenvolvimento também. E quem está envolvido no meio vai conhecer você, seu nome, seu rosto e saber o quanto você se dedica  à si mesmo e ao projeto geral.

Creio que é isso aí!

Prometo um texto sobre financiamento coletivo, sobre marketing pessoal e sobre publicação em plataformas digitais (Amazon KDP e Social Comics). Me cobrem

Um grande abraço e comentem!

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